Responsável pela primeira crítica pública à falta de articulação política do governo Rui Costa (PT), que, em sua avaliação, pode se tornar um desastre para os partidos da base especialmente no interior, o deputado federal Marcelo Nilo (PSB) foi responsável, esta semana, por uma sugestão que pode auxiliar imensamente o gestor na tarefa de tentar eleger a major Denice Santiago, pré-candidata do PT, à sucessão do prefeito ACM Neto (DEM). Nilo fez uma recomendação para que todos os pré-candidatos abram mão de sua candidatura para que o próprio Rui escolha o nome, como líder maior do grupo.

A medida, naturalmente, favoreceria Denice, cuja filiação ao PT foi articulada diretamente pelo governador a fim de viabilizar sua candidatura, e provavelmente por isso tenha sido rejeitada por boa parte dos demais pré-candidatos, os quais garantem que, apesar da fragmentação do grupo, têm condição total de continuar na disputa, sem se preocupar, efetivamente, com o resultado, pelo visto. Porém, o mais forte no aconselhamento de Nilo foi sua declaração de que ou se toma a medida o quanto antes ou caminharão todos para um massacre por parte das forças do prefeito ACM Neto (DEM).

Como observou o próprio parlamentar, ao contrário de Rui, que parece só ter começado a se movimentar em torno do assunto há coisa de poucos dias, o prefeito concentrou o grupo de 12 partidos que fazem parte de sua base em torno de uma única candidatura, a do vice Bruno Reis, deixando a disputa exclusivamente em torno de sua vice e da presidência da Câmara de Salvador, que só entrou no bolo por causa do desejo do atual presidente, o vereador Geraldo Jr. (MDB), em disputá-la mais uma vez. Por esta razão, Neto se cacifou melhor para a empreitada da sucessão, usando sua popularidade e a aprovação à sua gestão para fortalecer Bruno.

No campo do governo, entretanto, dada a falta de coordenação política, o quadro é de um "salve-se quem puder", em que os pré-candidatos admitem muitas vezes a condição de lutarem todos contra todos. Nilo teve o cuidado de deixar de fora da sua proposta o deputado federal Sargento Pastor Isidório, do Avante, único que Rui gostaria de ver concorrendo ao lado de Denice pelo estrito motivo de que o governador, assim como o próprio deputado socialista, acredita que ele teria a capacidade de empurrar a eleição para o segundo turno, impedindo que a disputa se defina logo no princípio de novembro para o candidato de ACM Neto.

Com a sugestão, que embora não tenha sido aceita de pronto, vai continuar ressoando, Nilo parece pessoalmente ter matado três coelhos de uma cajadada só: enfraqueceu a candidata de seu partido, a deputada Lídice da Mata, com quem se desentendeu seriamente por uma disputa cartorial num município do interior, deu uma saída honrosa para os pré-candidatos da base que estão enfrentando dificuldades para continuar na corrida sucessória por falta de apoio do governo e ainda fez as pazes com o governador, a quem prestou um serviço depois de ter se afastado dele após as críticas que lhe dirigiu exatamente por falta de ação política.

* Raul Monteiro é editor da coluna Raio Laser e do site Política Livre

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