O título parece complicar algo que é simples, mas ao entrarmos no cerne da questão, passamos a perceber ser algo muito mais complexo de ser vivido do que simplesmente escrever ou ler.

Na sociedade em que vivemos acabamos desempenhando papéis ao longo da vida: seja como filhos ou pais, seja como estagiários ou líderes, como crianças ou adultos, enfim, a idéia é que ao longo da vida vamos acessando novos cenários, novas características e novas responsabilidades.

Muito do que acontece todavia, é vermos pessoas “encarnarem personagens” ou também projetarem uma persona que não condiz com quem elas realmente são. Por razões diversas, assumimos posturas que não estão alinhadas com a forma que manifestamos naturalmente no mundo, e isso acaba por ser prejudicial: tanto para nós mesmos como para os outros.

No mundo digital isso talvez seja mais fácil de ser percebido: pessoas que ostentam riqueza mesmo diante da sua falta ou, vendedores de fórmulas de sucesso sem que tenham aplicado. Gente descolada que vive sofrendo com desafios pessoais e um mundo de conquistas de quem nem sai do lugar. Isso quando não descobrimos que o carismático da rede social é um ogro da vida real. Essas e outras são tão comuns quanto imaginamos.

O que não percebemos é o que está por trás disso: aceitação. Aqueles que tentam projetar algo que não são, geralmente estão buscando aceitação ou o reconhecimento de seus pares, superiores ou arredores. Por não estarem convictos de que sua forma natural de ser, ou que sua realidade natural seja interessante (ou aceitável) buscam essas projeções e criações que agradam os demais.

O ruim disso tudo é que não é sustentável a longo prazo e ninguém avisa que está apresentando apenas um “recorte bonito” de uma vida bagunçada. Na mesma linha, criam-se expectativas irreais que causam decepção e engano, gerando atrito e chateação para si e quem mais se envolve.

Por isso mesmo a importância de parar de tentar ser quem você não é. Buscar investigar os próprios valores, as coisas que acredita, a realidade diante de si e o que pode ser feito para o próprio aprimoramento é a base dessa construção.

Lembrar-se que seu valor vem de dentro, cessa a busca incessante por aprovação exterior. Ao se aceitar verdadeiramente, as relações se desdobram com base na verdade de quem somos, e não na idéia de quem queremos aparentar.

Um mundo melhor não apenas parece bom, ele realmente é. Sendo o mundo feito de pessoas, não nos resta outro caminho senão buscar a verdade transparente em nossa existência como indivíduo. A verdade pode até doer, mas continua sendo o melhor caminho para progredir.

*Rafael Ottaiano é empresário e possui bacharel em Direito e Engenharia Civil, bolsista no Programa de Liderança da Georgetown University e fundador da Positiv Network.



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